Chamada para propostas: 33.ª Conferência Internacional de Europeístas, 16–18 de junho de 2027, Universidade de Leiden

O Council for European Studies (CES) convida à apresentação de propostas para a 33.ª Conferência Internacional de Europeístas, que terá lugar na Universidade de Leiden, nos Países Baixos, de 16 a 18 de junho de 2027.
A conferência de 2027 acolhe propostas de comunicações individuais, painéis de comunicações, mesas-redondas, painéis dedicados a livros e minissimpósios, provenientes das diversas disciplinas e áreas interdisciplinares representadas nos Estudos Europeus. Embora sejam especialmente incentivadas propostas que abordem o tema da conferência deste ano, são igualmente bem-vindas submissões sobre quaisquer temáticas relacionadas com a Europa e os Estudos Europeus.
Prazo de submissão de propostas: 16 de outubro de 2026
Datas da conferência: 16–18 de junho de 2027
Instituição anfitriã: Universidade de Leiden
Local: Leiden e Haia, Países Baixos
Plataforma de submissão: OpenWater Submission Portal
Os resumos das comunicações individuais e das sessões não deverão exceder as 250 palavras. As orientações completas para a submissão de propostas e as informações relativas a cada modalidade de participação estão disponíveis na plataforma da conferência.
Tema: Garantir a segurança da Europa? Repensar o poder, a prosperidade e as relações num mundo conturbado
Coordenação do programa da conferência: Vera Scepanovic (Universidade de Leiden), Joost Augusteijn (Universidade de Leiden), Natascha van der Zwan (Universidade de Groningen) e Annick Masselot (Universidade de Canterbury).
Por toda a Europa, muitos cidadãos experienciam um sentimento de impotência perante a violência em massa e o genocídio, a escassez de matérias-primas «críticas» e de profissionais de saúde essenciais nos hospitais, o aumento das despesas e as incessantes violações de dados. A angústia difusa que emana dos ecrãs que trazemos nos bolsos alimenta uma convicção crescente de que os principais acontecimentos que moldam o presente da Europa já não estão inteiramente sob o seu controlo. Não surpreende, portanto, que a segurança, nas suas múltiplas dimensões, tenha passado a dominar o debate político e público, frequentemente acompanhada por um repertório limitado de soluções propostas. A autonomia é cada vez mais valorizada em detrimento da interdependência, as fronteiras rígidas e o aumento dos orçamentos de defesa são privilegiados em relação à proteção social e à solidariedade internacional, e as normas democráticas são subvertidas em nome da proteção.
A conferência do CES de 2027 convida investigadores de diferentes disciplinas a examinar as escolhas que moldam atualmente a Europa e a explorar o que significaria garantir verdadeiramente a sua segurança. São bem-vindos contributos assentes em perspetivas diversas e interdisciplinares, especialmente aqueles que procurem responder a questões como: De que forma poderiam os cidadãos europeus beneficiar efetivamente de alternativas europeias em setores atualmente dominados por empresas globais? Até que ponto terá a Europa de continuar a controlar os recursos e os mercados mundiais para sustentar a sua prosperidade? Dar prioridade à defesa em detrimento da proteção social constitui uma escolha necessária ou um falso dilema? Poderá a Europa reforçar a sua segurança e resiliência sem enfrentar as suas desigualdades estruturais? Quais são os custos de subestimar as ameaças provenientes de atores externos e quais são os perigos de as exagerar?
Os Países Baixos constituem um ponto de partida particularmente relevante para estas reflexões. Ao longo da sua história, o país seguiu diferentes caminhos, por vezes contraditórios, na procura de segurança e prosperidade. Imagina-se a si próprio como um kikkerlandje — um «pequeno país das rãs» que depende da força das suas alianças e do direito internacional para sobreviver. Contudo, enquanto potência colonial, contornou repetidamente essas mesmas leis em benefício dos seus próprios interesses. Na linha da frente da vulnerabilidade climática, conseguiu manter-se acima da água, ora contendo o avanço do mar, ora permitindo a passagem da água, e assegurando que todas as crianças aprendem a nadar. A Universidade de Leiden, instituição anfitriã da conferência, apresentou-se durante muito tempo como um bastião da liberdade, que acolheu académicos perseguidos e resistiu a potências ocupantes, ao mesmo tempo que formava administradores coloniais e construía coleções e sistemas de conhecimento profundamente enraizados no Império Neerlandês. Repensar o futuro da Europa exige também confrontar as complexas configurações de poder, prosperidade e relações que emergiram desses passados conturbados.
É neste espírito de reflexão crítica e renovação que se convidam propostas de painéis e comunicações que abordem a questão da segurança a partir de uma ampla diversidade de perspetivas históricas, regionais e disciplinares. São especialmente incentivados contributos que recorram a conceções alternativas de segurança, bem como aqueles que examinem de que forma as respostas do passado à insegurança podem esclarecer, complexificar ou limitar as possibilidades do presente e do futuro. São particularmente valorizados contributos assentes na humildade epistémica: trabalhos que questionem o que pode ser aprendido, na Europa e sobre a Europa, a partir de regiões do mundo habituadas a viver com a incerteza e que nunca tiveram a ilusão de ocupar um lugar central.
Fonte: Council for European Studies — Comunicado original, publicado a 2 de setembro de 2026