Novo estudo analisa o declínio da social-democracia em Portugal

O Partido Socialista (PS), frequentemente apontado como uma exceção ao declínio dos partidos sociais-democratas na Europa Ocidental, tem dado sinais recentes de vulnerabilidade. É este o ponto de partida do artigo Narratives of social democracy’s demise: insights from the Portuguese case, da autoria de Ana Espírito-Santo, Sofia Serra-Silva e Nelson Santos, publicado em acesso aberto na revista South European Society and Politics.

Com base nos dados do Estudo Eleitoral Integrado do programa Comportamento Eleitoral Português (CEP), que reúne inquéritos pós-eleitorais às eleições legislativas entre 2002 e 2024, os autores distinguem três grupos de eleitores do PS – leais, desertores e novos eleitores – e comparam o perfil dos desertores com as narrativas dominantes sobre a crise da social-democracia.

Os resultados mostram que a resiliência do PS assenta numa base estável de eleitores leais, que o protegeu das crises de mobilização sentidas por muitos partidos congéneres europeus. Ainda assim, o estudo identifica dois padrões de deserção: para a esquerda radical, protagonizado por eleitores mais jovens, escolarizados e progressistas, motivados sobretudo por questões culturais; e, mais recentemente, para a direita radical, associado a preocupações económicas de eleitores mais jovens. As eleições de 2024 marcaram um ponto de viragem, com perdas para todos os quadrantes e, pela primeira vez, perdas significativas para o Chega sem qualquer compensação.

Os autores concluem que as dimensões cultural e económica são ambas determinantes para as estratégias dos partidos sociais-democratas, sobretudo junto dos eleitores mais jovens, como caminho para a sua renovação.

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